O que é comunicação alternativa (CAA) e como começar em casa
Um guia prático para famílias de crianças autistas que ainda não falam ou falam pouco.
Antes de tudo
O TEAjudo apoia a comunicação e o dia a dia da família. Ele não faz diagnóstico, não é tratamento e não substitui o acompanhamento de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e médicos. As práticas abaixo funcionam melhor quando um profissional ajuda a escolher o que faz sentido para cada criança.
O que é CAA
Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) é qualquer forma de comunicar que vá além da fala ou que ajude a fala: gestos, sinais, figuras, cartões, pranchas de papel e aplicativos que falam. "Aumentativa" porque soma à fala que já existe; "alternativa" porque pode ocupar o lugar dela enquanto ela não vem.
Muitas crianças autistas entendem mais do que conseguem dizer. Sem um jeito de pedir, recusar ou contar o que sentem, a frustração costuma aparecer em choro, gritos ou crises. A CAA dá esse jeito.
A prancha atrapalha a fala?
Não há indício disso. A ideia de que a CAA impede ou atrasa a fala é tratada como mito pelos pesquisadores da área (Romski e Sevcik, 2005). Uma revisão de estudos (Millar, Light e Schlosser, 2006) não encontrou nenhum caso, entre os de melhor qualidade, em que a fala diminuísse depois da CAA; na maioria ela aumentou, ainda que pouco. A CAA também está entre as práticas baseadas em evidência para autismo (Hume et al., 2021).
Como começar em casa
- Comece com poucas palavras, e das boas. Escolha de 4 a 6 coisas que a criança realmente quer: o lanche favorito, água, brincar, "mais", "ajuda", "parar". Pedir o que se quer é o que dá mais vontade de usar a prancha.
- Deixe a prancha sempre por perto. Ela só funciona se estiver à mão na hora em que a vontade aparece, e não guardada na gaveta.
- Use você também. Toque no botão enquanto fala: "vamos comer?". Isso se chama modelagem: a criança aprende vendo a prancha sendo usada de verdade.
- Responda na hora a cada toque. Se ela tocou "água", entregue a água (ou explique com calma por que não dá agora). O toque precisa "funcionar" para fazer sentido.
- Não transforme em prova. Evite "mostra onde está a água" para testar. A prancha é para ela se comunicar, não para responder perguntas.
- Aumente aos poucos. Quando uma palavra já é usada com facilidade, libere outra. No TEAjudo, os botões podem ficar guardados até a família liberar.
- Converse com a fonoaudióloga. Ela ajuda a escolher o vocabulário e o tipo de CAA mais adequado para cada criança.
Com o TEAjudo
Ao criar a conta, quatro perguntas montam a prancha de acordo com a criança: quem ainda não fala começa com poucos botões de pedir e recusar; quem já forma frases recebe mais vocabulário e a tira de frase. Dá para adicionar pranchas prontas por situação (refeição, banho, escola, médico, parquinho, sentimentos), usar fotos de casa ou pictogramas, e a voz do Tuti fala cada botão.
Referências
- Romski, M. A. e Sevcik, R. A. (2005). Augmentative communication and early intervention: Myths and realities. Infants & Young Children, 18(3), 174–185.
- Millar, D. C., Light, J. C. e Schlosser, R. W. (2006). The impact of augmentative and alternative communication intervention on the speech production of individuals with developmental disabilities: A research review. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, 49(2), 248–264. doi.org/10.1044/1092-4388(2006/021)
- Hume, K., Steinbrenner, J. R., Odom, S. L. et al. (2021). Evidence-based practices for children, youth, and young adults with autism: Third generation review. Journal of Autism and Developmental Disorders, 51, 4013–4032. doi.org/10.1007/s10803-020-04844-2
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